Como sair da empresa garantindo todos os direitos sem pedir demissão? Conheça a rescisão indireta
- Nayara Pinheiro de Andrade
- 22 de jun.
- 3 min de leitura
Atualizado: 30 de jun.

Muitos trabalhadores enfrentam situações insustentáveis no ambiente de trabalho, mas continuam no emprego por medo de perder seus direitos ao pedir demissão.
O que poucos sabem é que, em determinadas situações, a legislação trabalhista permite que o empregado encerre o contrato de trabalho por culpa do empregador. Essa modalidade é conhecida como rescisão indireta.
O que é a rescisão indireta?
A rescisão indireta é uma forma de encerramento do contrato de trabalho prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aplicada quando o empregador comete faltas graves que tornam impossível a continuidade da relação de emprego.
Nesses casos, é o empregador quem descumpre suas obrigações legais ou contratuais, dando ao trabalhador o direito de buscar a rescisão do contrato com o recebimento das verbas rescisórias equivalentes às de uma dispensa sem justa causa, desde que o pedido seja reconhecido.
Em quais situações ela pode ocorrer?
Cada caso deve ser analisado individualmente, mas algumas situações podem caracterizar falta grave do empregador, como:
Atraso frequente ou ausência de pagamento dos salários;
Exigência de atividades proibidas por lei ou incompatíveis com o contrato de trabalho;
Assédio moral ou situações de humilhação no ambiente de trabalho;
Condições de trabalho que coloquem em risco a saúde ou a segurança do empregado;
Descumprimento reiterado das obrigações trabalhistas, como a falta de recolhimento do FGTS ou outras obrigações contratuais;
Agressões físicas ou verbais praticadas pelo empregador ou por seus representantes.
Nem todo problema no ambiente de trabalho gera direito à rescisão indireta. Por isso, é fundamental avaliar as circunstâncias e as provas existentes antes de tomar qualquer decisão.
Quais direitos o trabalhador pode receber?
Quando a rescisão indireta é reconhecida, o trabalhador pode ter direito, conforme o caso, às verbas normalmente devidas em uma dispensa sem justa causa, incluindo:
Saldo de salário;
Aviso-prévio;
Férias vencidas e proporcionais acrescidas de um terço;
13º salário proporcional;
Liberação do saldo do FGTS;
Multa de 40% sobre o FGTS;
Entrega das guias para requerimento do seguro-desemprego, quando preenchidos os requisitos legais.
A análise dos valores e dos direitos dependerá das particularidades do contrato de trabalho e da decisão judicial.
Posso simplesmente deixar de trabalhar?
Essa é uma das principais dúvidas dos trabalhadores.
Em regra, não é recomendável abandonar o emprego sem orientação jurídica. Dependendo da situação, a ausência injustificada poderá ser interpretada como abandono de emprego, comprometendo a defesa dos seus direitos.
O caminho mais seguro é buscar orientação jurídica antes de qualquer decisão, para definir a estratégia adequada conforme as circunstâncias do caso.
Como comprovar a falta grave do empregador?
A prova é um dos pontos mais importantes em uma ação de rescisão indireta.
Dependendo da situação, podem ser utilizados:
Conversas por mensagens;
E-mails;
Holerites e comprovantes de pagamento;
Extratos do FGTS;
Fotografias;
Laudos médicos;
Documentos internos da empresa;
Testemunhas.
Quanto mais elementos existirem para demonstrar a irregularidade, maior será a segurança na análise do caso.
Vale a pena buscar a rescisão indireta?
A resposta depende das circunstâncias.
Quando o empregador descumpre gravemente suas obrigações, a rescisão indireta pode ser uma importante ferramenta para proteger os direitos do trabalhador e permitir o encerramento do vínculo sem que ele precise pedir demissão e abrir mão das verbas rescisórias que a legislação lhe assegura.
Por outro lado, cada situação deve ser cuidadosamente analisada antes do ajuizamento de qualquer medida.
Conclusão
Ninguém deve permanecer em um ambiente de trabalho marcado por ilegalidades, abusos ou descumprimento das obrigações do empregador.
A rescisão indireta existe justamente para proteger o trabalhador quando a continuidade da relação de emprego se torna inviável em razão da conduta da empresa.
Se você acredita que está passando por uma dessas situações, não tome decisões precipitadas. Uma análise jurídica individualizada é essencial para verificar se o seu caso se enquadra nas hipóteses previstas em lei e para definir a melhor estratégia para preservar todos os seus direitos.
Redigido por:
NAYARA ANDRADE
OAB/MG 241.136
Este artigo possui o caráter meramente informativo.




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